Caso Banco Master: STF retira sigilo, revela propina no Banco Central e inquérito contra Flávio Bolsonaro
STF retira sigilo do caso Banco Master. PF aponta repasses a diretores do Banco Central e inquérito sobre o filme Dark Horse.
Novos desdobramentos da Operação Compliance Zero abalaram o cenário político e financeiro nacional nesta quinta-feira (10). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, atendeu a uma determinação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e retirou o segredo de Justiça de 15 procedimentos investigativos ligados às fraudes bilionárias e corrupção envolvendo o antigo Banco Master e seu ex-dono, Daniel Vorcaro.
A decisão tornou públicos relatórios contundentes da Polícia Federal (PF), detalhando a cooptação de altos funcionários do Banco Central (BC) e revelando formalmente a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como investigado no esquema.
Mesada de R$ 500 mil e viagens para servidores do Banco Central
De acordo com o relatório da PF encaminhado ao STF, o ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central, Belline Santana, recebia pagamentos mensais recorrentes de R$ 500 mil para repassar informações sigilosas e alinhar estratégias em favor de Daniel Vorcaro. As mensagens obtidas pelos investigadores mostram que pelo menos uma das transferências atingiu a marca de R$ 760 mil. Além de dinheiro, Santana teve almoços, jantares e um roteiro guiado em Paris totalmente custeados pelo ex-banqueiro.
Outro servidor beneficiado foi Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do mesmo departamento do BC. A PF apurou que Souza e sua família ganharam uma viagem para a Disney (EUA) e tiveram a venda de um imóvel rural intermediada de forma atípica. Ambos atuavam como “consultores informais” de Vorcaro dentro do órgão regulador.
Os dois servidores, que já foram afastados dos cargos, negam o vazamento de dados internos do BC e afirmam possuir comprovantes de que custearam todas as viagens com recursos próprios.
Inquérito contra Flávio e Eduardo Bolsonaro no filme “Dark Horse”
A abertura do sigilo também confirmou que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, foi incluído como investigado em um inquérito em separado no STF. A apuração foca no suposto repasse de R$ 61 milhões feito por Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma obra cinematográfica sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigam os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também é citado como possível beneficiário. A apuração ganhou força após a homologação da delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, apontado como o operador do dinheiro vivo do projeto, e pela divulgação de áudios em que Flávio negocia os recursos com o banqueiro. O senador não nega a veracidade das gravações, mas sustenta que se trata de captação privada legítima para a obra.
Crise no STF e análise no Plenário
A derrubada parcial do segredo de Justiça ocorre em meio a um momento de forte tensão no Judiciário. A medida foi exigida pelo presidente do STF, Edson Fachin, após uma sequência de decisões controversas de André Mendonça, que incluíam menções ao ministro Alexandre de Moraes e o afastamento da cúpula da Polícia Federal — decisão posteriormente anulada. O plenário do STF deve julgar no próximo dia 15 de setembro os desdobramentos dos atos e a condução do processo.
Fonte: Agência Brasil
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